As startups crescem em velocidade. Mas, em 2026, crescer rápido já não é o suficiente. Crescer com responsabilidade, organização e coerência passou a ser parte do jogo.
No ecossistema atual, investidores, parceiros e grandes clientes observam não apenas o produto ou a inovação, mas como a empresa se estrutura, decide e se posiciona diante de riscos, pessoas e impactos.
É nesse contexto que a assessoria jurídica assume um papel estratégico, especialmente sob a lógica do ESG.
O risco silencioso do crescimento sem estrutura.
É comum encontrar startups com tração e mercado validado, mas com bases frágeis: relações societárias pouco claras, contratos genéricos, ausência de políticas mínimas e decisões tomadas sem lastro jurídico consistente.
Essas fragilidades raramente aparecem no início.
Elas surgem quando a startup:passa por rodadas de investimento, entra em cadeias de fornecedores mais exigentes, contrata equipes maiores e se torna mais visível ao mercado E, nesse momento, o custo de correção é sempre maior.
ESG aplicado à realidade das startups.
No ambiente das startups, ESG não se traduz em relatórios complexos ou estruturas engessadas.
Ele se manifesta na coerência entre discurso, prática e organização interna.
Um jurídico alinhado ao ESG atua para:
- estruturar relações societárias transparentes e equilibradas
- dar segurança jurídica a contratos e parcerias estratégicas
- reduzir riscos trabalhistas em modelos flexíveis de contratação
- organizar responsabilidades e processos decisórios
- criar bases mínimas de governança compatíveis com o estágio da empresa
Não se trata de burocratizar a operação, mas de organizar o crescimento com responsabilidade.
Governança, sob a ótica do ESG.
Para startups, governança não é um organograma formal. É a capacidade de demonstrar controle, previsibilidade e integridade nas decisões.
Empresas que estruturam minimamente seus processos jurídicos conseguem tomar decisões mais conscientes, reduzir riscos reputacionais e operacionais, transmitir confiança a investidores e parceiros e sustentar crescimento sem rupturas
Startups raramente enfrentam entraves jurídicos no início. Eles surgem quando a empresa cresce, e, cresce rápido.
Nesse estágio, a falta de estrutura impacta valuation, negociações estratégicas, credibilidade e capacidade de escalar com segurança. Por isso, o jurídico não deve entrar apenas como resposta a problemas, mas como parte da construção do negócio.
Empresas que integram o jurídico à estratégia, sob uma visão de ESG aplicada, crescem com mais equilíbrio, clareza e responsabilidade.
No ecossistema das startups, velocidade continua sendo importante. Mas é a estrutura coerente que sustenta o crescimento no longo prazo.
Due Diligence: o risco começa antes do contrato.
Quando se fala em due diligence, muitos empresários associam o termo a operações complexas: fusões, aquisições ou grandes investimentos.
Na prática, essa é uma visão limitada e perigosa.
Todos os dias, empresas tomam decisões relevantes sem qualquer análise prévia estruturada. E é justamente aí que surgem riscos que poderiam ser evitados.
Decisões comuns que carregam riscos ocultos.
Sem perceber, empresas assumem riscos significativos ao firmar contratos estratégicos com novos parceiros, ingressar em cadeias de fornecedores mais exigentes, contratar terceiros para áreas sensíveis, buscar crédito, financiamento ou investidores, expandir operações ou abrir novas frentes de negócio
Essas decisões raramente passam por uma análise jurídica estruturada.
O foco costuma estar no comercial, no prazo ou na oportunidade e não na exposição ao risco.
O que acontece quando não há due diligence.
A ausência de due diligence não gera problemas imediatos. Ela cria fragilidades silenciosas, que se manifestam depois. E na prática, isso pode resultar em contratos desequilibrados, riscos trabalhistas e regulatórios herdados, passivos que surgem após a assinatura ou até dificuldade de encerrar ou revisar relações comerciais
Quando o problema aparece, a margem de negociação já diminuiu.
ESG aplicado à tomada de decisão.
Sob a ótica do ESG, a due diligence ganha ainda mais relevância.
Empresas passam a ser cobradas não apenas por seus atos, mas também pelas relações que estabelecem. E parcerias mal avaliadas podem gerar: riscos reputacionais, questionamentos contratuais ou exposição regulatória.
E antecipar esses pontos é parte da responsabilidade empresarial.
Empresas que incorporam análises prévias às decisões estratégicas ganham previsibilidade. Elas reduzem surpresas, negociam melhor e preservam valor ao longo do tempo.
Não se trata de travar decisões, mas de decidir com consciência dos riscos envolvidos.
Decidir bem também é prevenir. Due diligence não é exclusividade de grandes operações. É uma ferramenta essencial para empresas que buscam crescer com segurança, coerência e sustentabilidade.
No cenário atual, prevenir riscos passou a ser uma forma inteligente de gerir o negócio.




